terça-feira, 15 de maio de 2012

na margem do rio...


"Ilumina, Senhor, o que resta em nós da noite. O escuro pega-se à vida, propaga-se uma treva pelos corredores da casa, a esperança que tanto queríamos tem as luzes apagadas há tanto tempo. Tropeçamos dentro de nós, e por toda a parte, em fios que não vemos. Assistimos ao nascer do Teu dia, mas nem sempre renascemos para ele, já que nos aprisionam os laços de seda desta e daquela escuridão, que bem conheces. Ilumina por isso, Senhor, os pátios da tristeza pequenina que contamina tudo. Entreabre-os à Tua verdade que é o quotidiano vigor dos nossos recomeços. Faz-nos olhar a maré alta, o oceano vasto, as coisas simples e plenas como sinais do que somos chamados a ser. Alimenta-nos do pão claro da alegria. Dá-nos a vida intacta."(José Tolentino Mendonça in Um Deus que dança)

domingo, 13 de maio de 2012

estás em toda a parte...


"Sim... Tu sabes tudo de mim e, ainda assim, me dás amor..."

Obrigado Senhor pela Tua presença!

sábado, 12 de maio de 2012

um tempo para cada coisa que se deseja...

Do Livro do Eclesiastes: 

Para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu: 
tempo para nascer e tempo para morrer,
tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou,
tempo para matar e tempo para curar, 
tempo para destruir e tempo para edificar, 
tempo para chorar e tempo para rir,
tempo para se lamentar e tempo para dançar,
tempo para atirar pedras e tempo para as ajuntar,
tempo para abraçar e tempo para evitar o abraço,
tempo para procurar e tempo para perder,
tempo para guardar e tempo para atirar fora,
tempo para rasgar e tempo para coser,
tempo para calar e tempo para falar, 
tempo para amar e tempo para odiar,
tempo para guerra e tempo para paz. 


Nós somos duração. Trazemos em nós a memória e o presente de tempos muito diversos. Conhecer-se é tomar consciência desses tempos que coexistem em nós mesmo no seu contraste. Há o nascer e morrer. O plantar e colher. O chorar e rir. O abraçar e perder. Não podes escolher um só tipo de tempo, porque depois de um vem outro. Às vezes bem desejaríamos poder parar o tempo. Mas como ensina Jung, «o importante não é ser perfeito. O importante é ser inteiro». Pede ao Senhor dos tempos esse dom da inteireza. 
Para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu. Tu sabes isso??! E saber isso dá-te humildade no triunfo e fortaleza nas dificuldades?! Tens procurado adquirir aquela liberdade interior que não te deixa ser sequestrado pelo tempo??! Aprendeste a esperar ou, pelo contrário, desesperas rapidamente?! E manténs afastada a tentação do cinismo?! «Há um tempo» que é o de Deus e é a chave para todos os tempos.

Coloca o teu coração diante de Deus. Ele é o Senhor do Tempo e da Eternidade. Ele é o Deus paciente. Ele é o Amigo de todos os tempos. Suplica-lhe a sabedoria de viver cada tempo na abertura à Sua vontade. A Sabedoria de discernir os tempos e conduzi-los à plenitude verdadeira que só o Amor assinala. 

(Texto retirado, na íntegra, do livro Um Deus que dança - itinerários para a oração, de José Tolentino Mendonça. É um livro maravilhoso. Recomendo.) 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

há dias Bonitos...


Gosto dos dias Bonitos... gosto, particularmente, daqueles dias em que o sol brilha no olhar das crianças. 

terça-feira, 8 de maio de 2012

no silêncio...


Não penso... deixo que Tu me faças refletir.
Não falo... deixo que Tu me fales.
Não ando... deixo que Tu me guies.
Não sonho... deixo que Tu me reveles a realidade.
Não rezo... deixo que Tu me rezes.

No silêncio... só no silêncio...
Encontro Paz, Luz, Força...

Encontro-te a Ti!


segunda-feira, 7 de maio de 2012

há sempre alguém...

O mundo inteiro está cheio de pessoas.

Há pessoas caladas
que precisam de alguém para conversar.

Há pessoas tristes
que precisam de alguém que as conforte.

Há pessoas tímidas
que precisam de alguém que as ajude vencer a timidez.

Há pessoas sozinhas
que precisam de alguém para brincar.

Há pessoas com medo
que precisam de alguém para lhes dar a mão.

Há pessoas fortes
que precisam de alguém que as faça pensar
na melhor maneira de usarem a sua força.

Há pessoas habilidosas
que precisam de alguém para ajudar a descobrir
a melhor maneira de usarem a sua habilidade.

Há pessoas que julgam
que não sabem fazer nada e precisam de alguém
que as ajude a descobrir o quanto sabem fazer.

Há pessoas apressadas
que precisam de alguém para lhes mostrar
tudo o que não tem tempo para ver.

Há pessoas impulsivas
que precisam de alguém que as ajude
a não magoar os outros.

Há pessoas que se sentem de fora
e precisam de alguém que lhes mostre o caminho de entrada.

Há pessoas que dizem que não servem para nada
e precisam de alguém que as ajude a descobrir como são importantes.

Precisam de alguém

Talvez de ti…

(Pe. Marcelo Rossi)

sábado, 5 de maio de 2012

tu és mais forte...



"a estrada não é perfeita..."

sexta-feira, 4 de maio de 2012

...



"Há muitas coisas que percebo que não sou, mas dizer exactamente o que sou não consigo. Tento, dia a dia, ganhar o título de ser uma pessoa. E já não é pouco." (José Luís Peixoto)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

pura magia...

"Pura Magia"... é assim que merece ser tratada a minha última aquisição na Fnac: Tiago na Toca e os poetas.


Bem, Tiago na Toca e os Poetas é um projeto de Tiago Bettencourt que resolveu juntar música, poesia e alguns amigos na sua casa para, juntos, musicarem alguns poemas. Resultado: trinta minutos de pura magia! Estou encantada! 

Este disco não é uma apresentação calculada com cuidados técnicos que, por vezes, queimam a originalidade e a frescura - é sim um conjunto de instantâneos com a espontaneidade do sorriso, do entusiasmo ou da ternura. A tessitura de cada tema é visível e até explicada com a transparência que a luz naturalmente trespassa. São convocados alguns poetas maiores para a surpresa dum serão ou para a tranquilidade duma sombra na tarde calmosa. A poesia está lá inteira e os que a interpretam também comparecem sem resistir à naturalidade, o que é um sinal de talento. O resto é o Tiago - quando sonha, a obra nasce!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

no final...


"No final do Caminho, apenas me perguntarão: "Amaste?" 
E eu nao direi nada. Abrirei as mãos vazias e o coração cheio de nomes." 
(Autor desconhecido)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

de esquecer...


Demorei-me muito tempo ao pé de ti. 
As portas fechadas por dentro, como se encerrasses 
o amor e a lei. Demorei-me demais. Ao fim da tarde, 
nesse mesmo dia que já morreu, 
olhámo-nos devagar, mas distraídos. Diria até que anoiteceu. 

Nunca falámos do amor que chega tarde. 
Nem o interpelámos (como se já não pudesse 
ter nome). Fingia ter esquecido o teu corpo 
nas muralhas. Nas areias. 

Vês aqui alguma figura? Ninguém vê. 
Repara no ponto preto que alastra na margem do quadro, 
nas minhas lágrimas desse tempo. 
Relê. 
(Luis Filipe Castro Mendes)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

santiago...

Já se passaram quase 15 dias da minha caminhada a Santiago de Compostela, a pé, e, na verdade, parece que ainda ontem lá cheguei. Não sei porquê, mas já há alguns dias que quero vir aqui escrever algo, partilhar convosco a alegria vivenciada nesta experiência mas as palavras não me surgem... fazer O caminho é inexplicável... Partilham-se momentos, conhecem-se pessoas, desfruta-se da beleza da natureza, apercebemo-nos que, afinal, temos "coisas" a mais na nossa vida. Vive-se tanto! As dores do caminho sentem-se... mas são passageiras. A glória do caminho, não... essa é para sempre! 
Muitas vezes, me questionei sobre o que levaria alguém a fazer esta experiência... eu própria não sei muito bem o que me levou a fazer o caminho... só tenho duas certezas. A primeira: Ele saberá porque me levou até Santiago! 
 Chegar a Santiago foi assim um momento daqueles extremamente maravilhosos... abraçar o Santo fez arrepiar a espinha... deitar no chão da praça, à noite, com a cabeça em cima da Vieira e vislumbrar a iluminação daquela imponente Catedral é algo para nunca mais esquecer. São momentos que ficam e que fazem toda a diferença na nossa vida. A segunda certeza que trago desta caminhada é que voltarei a Santiago pelo mesmo ou por outros caminhos... voltarei, a pé!  

sexta-feira, 30 de março de 2012

a preparação V...


Ora bem. A Caminhada começa já amanhã. Andei a semana toda super agitada e hoje acordei, estranhamente, calma. Voltei a rever a mochila. Cada vez que lhe toco, parece-me mais pesada e mais desajustada. tem 6 quilos, mas hoje de tarde vou ter que tirar alguma coisa (não sei o quê, mas tenho que tirar)... Está muito pesada e acredito que andar de mochila às costas 5 dias não será fácil. 
Esta caminhada que vou fazer pelo caminho português até Santiago de Compostela será um teste às minhas capacidades físicas, psicológicas e espirituais. É algo que anseio fazer já há muito tempo e, por incrível que pareça, nunca acreditei muito que seria possível concretizar este desejo. Mas, parece que vai ser. E começa Já amanhã. 
Como diz Paulo Coelho, no seu livro Diário de um Mago: Que o Apóstolo Santiago nos acompanhe e nos mostre a única coisa que precisamos de descobrir; que não andemos nem devagar nem depressa de mais, mas sempre de acordo com as Leis e Necessidades do Caminho; que obedeçamos àquele que nos vai guiar... levemos o chapéu para nos proteger contra o sol e os maus pensamentos; o manto proteger-nos-á contra a chuva e as más palavras; o cajado protege-nos contra os inimigos e as obras más. E que a bênção de Deus, de Santiago, e da Virgem Maria nos acompanhem todas as noites e todos os dias. Ámen. 

a preparação IV...


Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.
(António Machado)

quarta-feira, 28 de março de 2012

a preparação III...


Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...
(Miguel Torga)

terça-feira, 27 de março de 2012

a preparação II...


Uma atitude que nos devia acompanhar sempre é a gratidão. Há quem agradeça pouco, há quem pense que tudo lhe é devido e, por isso, anda sempre de mal com o mundo. Mas também há quem saiba ver, mesmo mas coisas desagradáveis e difíceis, ocasiões para crescer e se purificar. A esses, nunca faltarão razões para agradecer. 

(in Não há soluções, há caminhos)

segunda-feira, 26 de março de 2012

a preparação...



Cada um vê aquilo que espera. Parece estranha esta afirmação. Vemos o que esperamos! É assim. Se o que espero são desgraças, só vejo desgraças e tudo me parece já mal. Mas se o que espero (e sei que vem) é o Bem, tudo já são sinais desse bem. É isso que me purifica o olhar e me liberta de fantasmas. Quem sabe que o Bem vem, já vê o bem a vir. Vê com bons olhos, mesmo no meio do nevoeiro.

(in Não há soluções, há Caminhos)

domingo, 25 de março de 2012

quarta-feira, 21 de março de 2012

um dia especial...

Hoje, comemora-se  o Dia Mundial da Trissomia 21. Não sou muito a favor das datas para assinalar o quer que seja, mas concordo com esta... concordo por uma única razão: é preciso lembrar a sociedade que a Trissomia 21 existe. Lembrar agora, para que daqui a alguns anos não seja preciso lembrar. Como o dia é especial, quero um texto que escrevi há cerca de 3 anos atrás, num trabalho para uma pós-graduação. Cá vai: 

Há 18 anos atrás nasceu, na minha família, uma criança que diziam ser “diferente”. Eu não notei… tinha 6 anos. Todos diziam “pobre família… que lhes havia de acontecer!” Eu continuava a não perceber o porquê deste tipo de comentários lá na aldeia. Talvez por ser ainda uma criança, não senti minimamente a “diferença” da minha irmã. A única coisa que notava era que ela era muito frágil… estava constantemente doente. 
A Filipa sempre foi uma criança com muitos problemas no coração, problemas respiratórios e, mais tarde, problemas motores (devido a um acidente doméstico que a deixou muito limitada ao nível motor). No entanto, sempre foi uma criança/adolescente/jovem muito querida por/para todos. Amada e respeitada na sua diferença. 
Com o passar dos anos fui crescendo e tomando consciência do que as pessoas iam dizendo. Cresci a ver a minha mãe com um sorriso no rosto, mas um sofrimento interior profundo. Penso que, passados 18 anos do nascimento da Filipa, os meus pais ainda não fizeram o luto necessário. Ainda ouço a minha mãe dizer, muitas vezes “se ela fosse perfeitinha…”. 
Não sou mãe, sou irmã! Acredito que não seja fácil receber a notícia, mas também acredito que não é um drama ter um filho com Trissomia 21. 
Acredito que crianças como a minha irmã trazem muito mais de bom do que de mau. Acredito que tê-las tão próximas de nós é uma bênção a que só alguns têm direito. Aprende-se muito… sente-se muito… sofre-se muito também… 
Infelizmente, os meus pais não foram bem encaminhados, não tiveram apoio devido de pessoas entendidas no assunto. Eles próprios nunca procuraram muito apoio pois sentiam uma certa vergonha, sei lá. Havia sempre aquela questão no ar: “Porquê a mim?” (principalmente depois de terem seis filhos ditos “normais”). Não quero com isto dizer que a tratam mal ou que a desprezam. Pelo contrário… têm-lhe tanto amor que fazem de tudo para a ver bem e feliz. 
Com a minha irmã eu aprendi que não devemos eliminar as diferenças, temos sim de aceitar o outro na sua diferença. E essa é a minha missão ao lado da minha irmã! Lutar para que a sua diferença seja aceite e respeitada, bem como proporcionar-lhe da forma que me for possível, a máxima qualidade de vida e independência.

quinta-feira, 15 de março de 2012

o autismo...


Encontrei algures, na internet, este poema escrito por uma mãe de um menino autista, pelo que resolvi partilhar.

Ama-me,
Por favor
Como eu sou…
Ama-me
Como tu
Gostarias que eu fosse.
Quem me concebeu…
Não imaginou
Que seria assim tão duro…
Entender que vim autista.
Mas ama-me
Fala-me desse amor
Mesmo que eu não pareça entender
Mesmo que eu fuja e me refugie
Busca-me não deixes eu me perder…
Ama-me…
Como se visses em mim
A imagem e semelhança de ti
No espelho das águas…