sexta-feira, 30 de março de 2012

a preparação V...


Ora bem. A Caminhada começa já amanhã. Andei a semana toda super agitada e hoje acordei, estranhamente, calma. Voltei a rever a mochila. Cada vez que lhe toco, parece-me mais pesada e mais desajustada. tem 6 quilos, mas hoje de tarde vou ter que tirar alguma coisa (não sei o quê, mas tenho que tirar)... Está muito pesada e acredito que andar de mochila às costas 5 dias não será fácil. 
Esta caminhada que vou fazer pelo caminho português até Santiago de Compostela será um teste às minhas capacidades físicas, psicológicas e espirituais. É algo que anseio fazer já há muito tempo e, por incrível que pareça, nunca acreditei muito que seria possível concretizar este desejo. Mas, parece que vai ser. E começa Já amanhã. 
Como diz Paulo Coelho, no seu livro Diário de um Mago: Que o Apóstolo Santiago nos acompanhe e nos mostre a única coisa que precisamos de descobrir; que não andemos nem devagar nem depressa de mais, mas sempre de acordo com as Leis e Necessidades do Caminho; que obedeçamos àquele que nos vai guiar... levemos o chapéu para nos proteger contra o sol e os maus pensamentos; o manto proteger-nos-á contra a chuva e as más palavras; o cajado protege-nos contra os inimigos e as obras más. E que a bênção de Deus, de Santiago, e da Virgem Maria nos acompanhem todas as noites e todos os dias. Ámen. 

a preparação IV...


Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.
(António Machado)

quarta-feira, 28 de março de 2012

a preparação III...


Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...
(Miguel Torga)

terça-feira, 27 de março de 2012

a preparação II...


Uma atitude que nos devia acompanhar sempre é a gratidão. Há quem agradeça pouco, há quem pense que tudo lhe é devido e, por isso, anda sempre de mal com o mundo. Mas também há quem saiba ver, mesmo mas coisas desagradáveis e difíceis, ocasiões para crescer e se purificar. A esses, nunca faltarão razões para agradecer. 

(in Não há soluções, há caminhos)

segunda-feira, 26 de março de 2012

a preparação...



Cada um vê aquilo que espera. Parece estranha esta afirmação. Vemos o que esperamos! É assim. Se o que espero são desgraças, só vejo desgraças e tudo me parece já mal. Mas se o que espero (e sei que vem) é o Bem, tudo já são sinais desse bem. É isso que me purifica o olhar e me liberta de fantasmas. Quem sabe que o Bem vem, já vê o bem a vir. Vê com bons olhos, mesmo no meio do nevoeiro.

(in Não há soluções, há Caminhos)

domingo, 25 de março de 2012

quarta-feira, 21 de março de 2012

um dia especial...

Hoje, comemora-se  o Dia Mundial da Trissomia 21. Não sou muito a favor das datas para assinalar o quer que seja, mas concordo com esta... concordo por uma única razão: é preciso lembrar a sociedade que a Trissomia 21 existe. Lembrar agora, para que daqui a alguns anos não seja preciso lembrar. Como o dia é especial, quero um texto que escrevi há cerca de 3 anos atrás, num trabalho para uma pós-graduação. Cá vai: 

Há 18 anos atrás nasceu, na minha família, uma criança que diziam ser “diferente”. Eu não notei… tinha 6 anos. Todos diziam “pobre família… que lhes havia de acontecer!” Eu continuava a não perceber o porquê deste tipo de comentários lá na aldeia. Talvez por ser ainda uma criança, não senti minimamente a “diferença” da minha irmã. A única coisa que notava era que ela era muito frágil… estava constantemente doente. 
A Filipa sempre foi uma criança com muitos problemas no coração, problemas respiratórios e, mais tarde, problemas motores (devido a um acidente doméstico que a deixou muito limitada ao nível motor). No entanto, sempre foi uma criança/adolescente/jovem muito querida por/para todos. Amada e respeitada na sua diferença. 
Com o passar dos anos fui crescendo e tomando consciência do que as pessoas iam dizendo. Cresci a ver a minha mãe com um sorriso no rosto, mas um sofrimento interior profundo. Penso que, passados 18 anos do nascimento da Filipa, os meus pais ainda não fizeram o luto necessário. Ainda ouço a minha mãe dizer, muitas vezes “se ela fosse perfeitinha…”. 
Não sou mãe, sou irmã! Acredito que não seja fácil receber a notícia, mas também acredito que não é um drama ter um filho com Trissomia 21. 
Acredito que crianças como a minha irmã trazem muito mais de bom do que de mau. Acredito que tê-las tão próximas de nós é uma bênção a que só alguns têm direito. Aprende-se muito… sente-se muito… sofre-se muito também… 
Infelizmente, os meus pais não foram bem encaminhados, não tiveram apoio devido de pessoas entendidas no assunto. Eles próprios nunca procuraram muito apoio pois sentiam uma certa vergonha, sei lá. Havia sempre aquela questão no ar: “Porquê a mim?” (principalmente depois de terem seis filhos ditos “normais”). Não quero com isto dizer que a tratam mal ou que a desprezam. Pelo contrário… têm-lhe tanto amor que fazem de tudo para a ver bem e feliz. 
Com a minha irmã eu aprendi que não devemos eliminar as diferenças, temos sim de aceitar o outro na sua diferença. E essa é a minha missão ao lado da minha irmã! Lutar para que a sua diferença seja aceite e respeitada, bem como proporcionar-lhe da forma que me for possível, a máxima qualidade de vida e independência.

quinta-feira, 15 de março de 2012

o autismo...


Encontrei algures, na internet, este poema escrito por uma mãe de um menino autista, pelo que resolvi partilhar.

Ama-me,
Por favor
Como eu sou…
Ama-me
Como tu
Gostarias que eu fosse.
Quem me concebeu…
Não imaginou
Que seria assim tão duro…
Entender que vim autista.
Mas ama-me
Fala-me desse amor
Mesmo que eu não pareça entender
Mesmo que eu fuja e me refugie
Busca-me não deixes eu me perder…
Ama-me…
Como se visses em mim
A imagem e semelhança de ti
No espelho das águas…

quarta-feira, 14 de março de 2012

cada dia é sempre diferente dos outros...


Cada dia é sempre diferente dos outros, mesmo quando se faz aquilo que já se fez. Porque nós somos sempre diferentes todos os dias, estamos sempre a crescer e a saber cada vez mais, mesmo quando percebemos que aquilo em que acreditávamos não era certo e nos parece que voltámos atrás. Nunca voltamos atrás. Não se pode voltar atrás, não se pode deixar de crescer sempre, não se pode não aprender. Somos obrigados a isso todos os dias. Mesmo que, às vezes, esqueçamos muito daquilo que aprendemos antes. Mas, ainda assim, quando percebemos que esquecemos, lembramo-nos e, por isso, nunca é exactamente igual. 
— Porquê, pai? 
— Porque a memória não deixa que seja igual, mesmo que seja uma memória muito vaga, mesmo que seja só assim uma espécie de sensação muito vaga. É que a memória não é sempre aquilo que gostaríamos que fosse. Grande parte dos nossos problemas estão na memória volúvel que possuímos. Aquilo que é hoje uma verdade absoluta, amanhã pode não ter nenhum valor. Porque nos esquecemos, filho. Esquecemos muito daquilo que aprendemos. E cansamo-nos. E quando estamos cansados, deixamos de aprender. Queremos não aprender por vontade. Essa é a nossa maneira de resistir, mais ou menos, àquilo que nos custa entender. E aquilo que nos custa entender pode ter muitas formas, pode chegar de muitos lugares. 
— Porquê, pai? 
— Porque nos parece que é assim. Mas talvez não seja assim. Aquilo que nos custa entender é sempre uma surpresa que nos contradiz. Então, procuramos convencer-nos das mais diversas maneiras, encontramos as respostas mais elaboradas e incríveis para as perguntas mais simples. E acreditamos mesmo nelas, queremos mesmo acreditar nelas e somos capazes. Somos mesmo capazes. Não imaginas aquilo em que somos capazes de acreditar. 
— Porquê, pai? 
— Porque temos de sobreviver. Porque, à noite, a esta hora, temos de encontrar força para conseguirmos dormir, descansar, e temos de acreditar que no dia seguinte poderemos acordar na vida que quisemos, que desejámos. Temos de acreditar que poderemos acordar na vida que conseguimos construir e que essa vida tem valor, vale a pena. Muito mais difícil do que esse esforço é considerarmos que fomos incapazes, que não conseguimos melhor, que a culpa foi nossa, toda e exclusiva. 

José Luís Peixoto, in 'Abraço'

terça-feira, 13 de março de 2012

doeu...


Olhou para mim como quem olha para quem não existe. Fez de conta que eu não era ninguém, que eu nem estava ali. Tratou-me como se... sei lá... eu nem sei explicar, em palavras, o que senti, no momento. Doeu... ainda dói... Hoje, aprendi que, não importa o amor que depositas em cada aluno, para alguns pais tu és e serás (sempre) aquela que é paga para tomar conta dos seus filhos. Triste pensamento. 

quinta-feira, 8 de março de 2012

neste dia da mulher...

"Toda mulher deve ser amada
No dia-a-dia conquistada
No ser mãe endeusada
Na cama desejada
Na boca beijada
Na alegria multiplicada
No lar compartilhada
No seu dia festejada
Na tristeza consolada
Na queda levantada
Na luta encorajada
No trabalho motivada
No aniversário presenteada
Na alma massageada
Na beleza admirada
Na dificuldade ajudada
No cangote bem cheirada
Na vida abençoada
No mundo inteiro respeitada
E sempre que possível… abraçada!"

Madre Teresa de Calcutá

terça-feira, 6 de março de 2012

banalidades...



"O conhecimento não vale apenas pelo que nos enriquece. Devemos cultivá-lo para o transmitir e o poder pôr ao serviço dos outros." (Margarida Cordo)

Não podemos alinhar no "doce prazer" de descobrirmos sozinhos para brilharmos quando nos parecer estrategicamente conveniente e diante de quem queremos impressionar, porque tem o poder de nos dar poder. Também não é boa ideia esconder dos outros para ser "rei em terra de cegos". É preciso perder o medo de muitas coisas, mas, sobretudo, de partilhar com lealdade o que se sabe. Mesmo que nos imitem não temos nada a temer. É que, quando sabemos algo em profunidade, a imitação é sempre uma imagem barata que se desvenda a si própria porque lhe falta a base do verdadeiro conhecimento. 
E pronto. É isto. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

vou dar o salto...



Já faz uns dias que ando com esta música na cabeça. A cada instante lá estou eu: "vou dar o salto..." e, normalmente, nem termino a frase. Então, hoje, resolvi fazer uma breve reflexão sobre este dar o salto. 
2012 está a ser um ano de mudanças na minha vida e a verdade é que estou realmente a dar o salto. Sinto que estou a evoluir. Dar o salto é querer fazer mudanças, é querer avançar, é querer deixar para trás tudo o que nos fez/faz manter sempre na mesma linha. Saltar faz parte da vida. Felizes aqueles que conseguem perceber quando chegou a hora de dar o salto. Eu, muito sinceramente, acho que já podia ter saltado à mais tempo. No entanto, ainda não estava disposta a fazê-lo. Mais vale saltar tarde do que nunca, é um facto. Mas este saltar só ocorre quando a pessoa realmente se dispõe a fazê-lo. Quem não o faz, fá-lo porque acredita que, à sua volta, as coisas mudarão. Não. As coisas à nossa volta dificilmente mudarão... mas nós sim. Nós podemos mudar. Nós podemos saltar. Nós podemos evoluir para outro patamar. Saltar não é fácil... exige vontade, rigor, disciplina. Mas é possível! Felizes os que saltam pois terão novos objetivos a alcançar nas suas vidas. 

sexta-feira, 2 de março de 2012

as preocupações dos outros...

Triste! Profundamente triste com a maldade das pessoas. 
Quando é que vamos, finalmente, viver mais as nossas vidas e deixar de viver a vida dos outros??! 
Não entendem que esse tipo de preocupação com "o outro" é uma preocupação azedada??! Uma preocupação que não ajuda, em nada, "o outro" a evoluir (no verdadeiro sentido da palavra)??! 
Estou cansada! Cansada de "comer e calar". Cansada de sorrir e ser educada quando sei que, mal eu viro costas, já sou a tal que tem a tarde de sexta-feira livre e que, por acaso, até mora a 180 km do local de trabalho... mas ter a tarde de sexta-feira é um crime ("porque os outros colegas não têm"). No entanto, não é crime ter 45 minutos pra almoçar (podemos sempre falar em direitos do trabalhador). Sim, ter 45 minutos para almoçar (por vezes, nem isso... porque me preocupo em 1º lugar com os meus alunos e com o almoço deles... só depois penso no meu) enquanto "os outros" têm 1:30h, ninguém repara. 
Eu sei que podia não ter a tarde livre, mas... que querem??! Foi o horário que me aprovaram... e que até é bem bom. Se não tivesse tarde livre na sexta, seria bom na mesma, porque faço parte daquele grupo de contratados que andam de escola em escola e que, neste momento, têm trabalho. E agradeço a Deus por isso. Portanto, deixem-me fazer o meu trabalho e façam o vosso  que é para isso que nos pagam. 


p.s. a semana estava a correr tão bem...

quinta-feira, 1 de março de 2012

sorrir...

Gosto tanto de um sorriso sincero, puro, acolhedor...


É maravilhoso!