quarta-feira, 25 de abril de 2012

de esquecer...


Demorei-me muito tempo ao pé de ti. 
As portas fechadas por dentro, como se encerrasses 
o amor e a lei. Demorei-me demais. Ao fim da tarde, 
nesse mesmo dia que já morreu, 
olhámo-nos devagar, mas distraídos. Diria até que anoiteceu. 

Nunca falámos do amor que chega tarde. 
Nem o interpelámos (como se já não pudesse 
ter nome). Fingia ter esquecido o teu corpo 
nas muralhas. Nas areias. 

Vês aqui alguma figura? Ninguém vê. 
Repara no ponto preto que alastra na margem do quadro, 
nas minhas lágrimas desse tempo. 
Relê. 
(Luis Filipe Castro Mendes)

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